Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

existem dias onde o ouro nao























existem dias onde o ouro não chega
a brilhar.
dias parados no tempo,
cinzentos
cinzelados pela mão potente do vento
onde nao há lugar para a memória.

dias
despojados de glória,
dias negros,
cheios de buracos onde poeira deixar cair o corpo e o
espirito,
ó fosse eu capaz do vôo órfico
sobre as águas
desmedidamente abertas sobre o precipicio.

estes dias
nomes,
pesadelos embrulhados em papel celofane,
dias perdidos da imagem limpida de um toque de amor,

dias em que janelas se fecham sobre os sonhos,
dias tristes como o mais triste vácuo
onde apenas nos resta o silêncio.







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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

paris


paris já não é o que era,
já não subsiste aquele perfume
brut que enlouquecia quando me davas a mão
e nao mais a leve inspiração trazida pelo
filme a preto branco que rodaste quando jovem cão
( lá dizia o autor que a juventude é que nos salva )

agora não, já passou tudo a história

e paris está envolvida em meios tons de cinzento
com brumas perdidas
e árvores despidas pelo vento. foi-se o desejo de
café e croissants pela manhã,
foi-se o amor ás artes e letras,partiste de vez
com a cabeça inclinada para o sono eterno.

a vida só nos traz dores e enganos podes crer

ilusões de grandeza falececem
desaparecem como todos
e os nós que atamos são roídos pelo tempo
seja qual for a matéria de que sao feitos.
não paris ja era e não ha arcos que a salvem da monotonia

falta-me o teu gesto, a tua pintura

faltam-me a vontade de olhar para o futuro.
tudo á minha volta se parece com uma côdea de pão
velha e amarga e nem há volta a dar-lhe;
a tua morte levou todos os sabores
e a cor do céu que antigamente me parecia azul
é puro breu agora,sem andorinhas nem encanto

so me tocam memórias do tempo em as ruas eram a tua imagem,

nãoo paris já não é o que era.




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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

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ilhas e fatal



estas so

a ilha onde vives afunda-se lentamente
nas aguas escuras de um oceano oculto
as palmeiras ja nao sao o que eram
jangadas sao impossiveis agora
resta-te a esperança
e a dança quase inutil com ondas e ceus
deus esta a olhar para outro lado

a ilha afunda-se
procuras onde outrora o porto seguro
os barcos de pesca os navios
mas ja nao existem partiram antes de ti
antes do vendaval e das torrentes de lagrimas
impossiveis agora os sonhos de outrora
estao perdidos por dentro de pedras e calhaus

perdido nas sombras de edificios
a desmoronar-se estas so
as figurinhas de oiro que iluminaram os jardins
sao agora po as ondas levaram o que resta
da memoria para onde nao se sabe
talvez para perto das estrelas
que olham com um pequeno sorriso por dentro do brilho

a ilha afunda-se
apenas um pequeno cometa
disso dara o sinal

olhar os ceus de nada te servira.


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uma rosa apenas



uma rosa anuncia a madrugada
brilhante labirinto seda pura
trazendo no perfume que se espalha
toda uma sinfonia de ternura

e uma rosa apenas, simples quieta
a que os meus olhos contemplam silenciosos
mas vejo atraves dela o mundo inteiro
suavizado por tons maravilhosos

e na manha anunciando pratas
dançam raios de sol nos tons da flor
que solitaria me anuncia o amor
dançando em cada um dos aromas que exala

e sinto no coraçao uma alegria
profunda e docemente perfumada
na cor dessa flor tocando o dia
vejo a luz de um amor nobre suave amada.



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Terça-feira, 25 de Março de 2008

me and myself

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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

poema para as crianças das guerras



crianças gritam
estendem as maos para o vazio
choram

crianças de olhos
espantados
de olhos tao abertos
ao terror
que nos atravessam o corpo
as mesmas dores
a nos que podemos ver
esses pequenos seres devorados
pelas sombras

lagrimas de sangue
nos olhos de crianças
que choram
enquanto os outros
falam
discutem
ou escrevem na areia dos silencios
adivinhas inuteis
lançadas ao vento



enquanto o sangue corre
crianças chamam
mas ninguem as ouve

e elas gritam
e choram
e olham
e morrem
ao longe.



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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

o silencio das conchas



encosta o ouvido
ao silencio
la onde o mar se ouve
batendo por dentro
das estrelas
e sente apenas
esse som

o bater do coraçao
de conchas fabulosas
batidas pelo sal e pelas ondas

e la, onde todas as mares
se encostam ao horizonte
ouve a musica enrolada nas areias,
encosta o sono ao sonho
e no silencio das conchas silenciosas
escuta a musica de estrelas

e ouve.



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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

uma palavra verde





O teu sexo verde jasmim
que emerge da terra do
teu seio
jasmim
resplandece
tocado pelo sol.
De ti flor
vira a luz perfumada
e sensivel
uma tonalidade nova
impossivel
acarinhada no profundo
calor
que reanima.
E o teu sexo verde
jasmim

ha-de tocar o mais fundo
principio
quando emergir da terra
do teu seio jasmim
tocado pelo sul da vida.

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esperança



a minha esperança é a liberdade
que tenho
de fazer poemas com agulha
e de os cozer ao peito da minha
pele
ah fosse eu um mestre de agulha
e linha.

criar poemas cozidos
como na alfaiataria
se cozem devagarinho os fatos
a pronto e por medida
e ter o cuidado
de os talhar a preceito
para nao me descairem na rua
e nao me deixarem tudo a nu
aos olhares dos passeantes
da poesia.




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