existem dias onde o ouro nao

existem dias onde o ouro não chega
a brilhar.
dias parados no tempo,
cinzentos
cinzelados pela mão potente do vento
onde nao há lugar para a memória.
dias
despojados de glória,
dias negros,
cheios de buracos onde poeira deixar cair o corpo e o
espirito,
ó fosse eu capaz do vôo órfico
sobre as águas
desmedidamente abertas sobre o precipicio.
estes dias
nomes,
pesadelos embrulhados em papel celofane,
dias perdidos da imagem limpida de um toque de amor,
dias em que janelas se fecham sobre os sonhos,
dias tristes como o mais triste vácuo
onde apenas nos resta o silêncio.




